O seu casamento é um ícone de Deus
Vivemos em uma época em que o casamento foi rebaixado a um mero contrato de conveniência, e a família, a uma opção de estilo de vida. Quando as dificuldades surgem, a cultura secular nos incentiva a descartar nossos laços em nome da “autorrealização” pessoal. No entanto, na obra Fundamentalismo puro e simples, o teólogo Douglas Wilson resgata o peso formidável do projeto de Deus para o lar, revelando que a preservação da família é o epicentro de uma batalha espiritual gigantesca.
Quando Deus criou o homem e a mulher, ordenando que fossem fecundos, se multiplicassem e enchessem a terra, Ele estava estabelecendo uma matemática divina majestosa. No Éden, Deus operou Adão, partindo-o em dois para formar a mulher; em seguida, ordenou que o homem deixasse pai e mãe para que esses dois voltassem a ser “uma só carne”. A partir dessa união profunda, a mulher conceberia, e o ciclo da vida faria com que um se tornasse dois novamente. O autor nos mostra que, ao colocar o homem e a mulher lado a lado dessa forma, Deus não estava apenas criando uma instituição civil; Ele estava esculpindo um “ícone”, uma imagem viva de Si mesmo para ser exibida ao cosmos.
É exatamente por carregar a própria imagem do Criador que o matrimônio sofre ataques tão brutais. Quando Jesus foi questionado sobre o divórcio, Ele não apelou para as opiniões culturais da Sua época, mas apontou diretamente para a união do primeiro casal como o paradigma definitivo e inegociável para todos os tempos. O Senhor declarou que a separação não fazia parte do projeto original, pois “não havia divórcio no Jardim”. Portanto, quando os cristãos resistem à mentalidade descartável moderna e lutam arduamente para salvar e honrar os seus casamentos, eles não estão sendo apenas “conservadores”; eles estão, na verdade, envolvidos na missão cósmica de “cultivar novamente o Jardim”.
O Éden era um projeto ambicioso, cujo objetivo supremo era ver o mundo povoado por bilhões de filhos e filhas de Deus, refletindo Sua imagem gloriosa século após século. A queda do homem no pecado tentou vandalizar e destruir esse plano, trocando a submissão a Deus por uma rebelião autônoma. Contudo, Deus não revogou o Seu plano.
E é aqui que a obra nos traz uma constatação contundente: nós costumamos pensar na “Grande Comissão” apenas como a tarefa de enviar missionários para além-mar, esquecendo-nos de que o ambiente primário e fundamental para fazer discípulos de todas as nações é a nossa própria família. O lar cristão foi projetado para ser “o lugar sagrado onde a fé é transmitida à próxima geração”.
Se quisermos resistir ao caos da modernidade, precisamos parar de tratar a nossa vida doméstica como um aspecto secundário da nossa espiritualidade. A Grande Comissão começa na sua sala de estar. O Céu, afinal de contas, é o destino eterno e a verdadeira pátria para onde as nossas famílias devem ser conduzidas como o nosso alvo supremo.
Invista no seu casamento e no discipulado diário dos seus filhos com a urgência e a reverência de quem sabe que está povoando o Reino de Deus.
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