18/08/2025

As cicatrizes da queda e a esperança da salvação

Em nossos dias, muitas vezes temos a sensação de que o mundo ao redor parece se desintegrar, com certezas que se desfazem e notícias que trazem mais peso do que alívio. Em meio a crises e desafios pessoais, o anseio por esperança e propósito se torna ainda mais profundo para os cristãos.

 

É com essa sensibilidade que o Reverendo Emilio Garofalo Neto nos convida a uma jornada através de seus contos em O amor nas ruínas do mundo. Suas histórias oferecem "lentes que nos ajudam a enxergar a realidade", revelando o extraordinário no cotidiano e a presença de Deus nas experiências mais simples. A grande questão que permeia suas páginas é sobre como encontrar amor e sentido em um universo que está em ruínas.

A Bíblia nos apresenta um mundo que, embora criado perfeito, foi ferido profundamente pela desobediência (Gênesis 3), gerando as "ruínas" que hoje vemos. Contudo, Deus não abandonou sua criação. Ele está ativamente "encarregado da reforma deste universo que está em ruínas".

 

O autor, em uma bela metáfora, ilustra essa reforma através de Hipópolis, uma cidade submersa que é, na verdade, uma versão transformada do Jardim do Éden. É um lugar onde "os que ele chama para ajudar na missão se juntam para planejar formas de atuar". Isso nos lembra que, mesmo na confusão, Deus reúne seu povo para um propósito maior.

E qual é essa grande missão? É a de "contar a novidade" sobre o "Carpinteiro-Rei" – Jesus Cristo – que "conseguiu que fosse assim", triunfando sobre o mal. A "notícia que paira no ar" é o Evangelho, a boa-nova de que há uma solução para toda ruína (Romanos 10:14). Essa notícia aponta para uma esperança futura, a "Metápolis", a Nova Jerusalém de Apocalipse 21, onde Deus fará "novas todas as coisas". Somos os "logistas" dessa notícia, agindo em nossos contextos, "ajudando na logística" para que a mensagem seja "mais bem-distribuída".

 

Em um mundo onde o desespero pode paralisar, somos chamados a viver com coragem e esperança, mesmo em situações "confusas, bagunçadas". Isso significa que, em nossas rotinas e desafios, podemos ser portais para a presença de Deus, demonstrando "o extraordinário no ordinário". Não é fácil, a fé pode ser posta à prova, mas "é quem usa a gente... que importa". Deus nos capacita a enfrentar as dificuldades da vida, como Paulo ensinou sobre viver contente em toda e qualquer situação.

 

Como bem observa o livro: "A gente vive, morre, entende bem pouco do que se passa e vai dormir... E a gente vai indo e confiando que alguém está encarregado da reforma deste universo que está em frangalhos". Esta é uma lembrança poderosa de que nossa responsabilidade é confiar naquele que tem o controle, mesmo quando a vida "é algo muito bom, mas no final você se vê um tanto assustado de madrugada andando sozinho pela maior cidade do país".

 

Viver em um mundo que, ao mesmo tempo que carrega as cicatrizes da queda, também pulsa com a esperança da redenção, nos oferece uma perspectiva transformadora. Nossas vidas, com suas dores e alegrias misturadas, são notas na melodia que o próprio Criador está compondo.

Que possamos abraçar essa realidade com coragem. Não estamos isentos de sofrimento, mas somos convidados a participar da maior história já contada. Que o nosso anseio seja por "Metápolis", a cidade que descerá um dia, onde "nenhum mal entra" e todas as coisas serão feitas novas. Até lá, que nosso propósito seja refletir a luz do Carpinteiro-Rei, vivendo e compartilhando a "notícia que paira no ar". O mundo pode estar em ruínas, mas o amor de Deus permanece e está ativamente restaurando tudo. "Espera só para ver."