24/08/2026

Patriarcado ou caos: a verdadeira questão sobre a liderança masculina

“Abaixo o patriarcado!” Tornou-se quase impossível ligar a televisão, abrir uma rede social ou entrar em uma sala de aula universitária sem se deparar com esse slogan apaixonado. Há décadas, boa parte da cultura ocidental empenha-se em uma missão obstinada: desmantelar toda forma de autoridade e liderança masculina.

 

Os pais são frequentemente retratados na mídia como bufões incompetentes, os meninos são ensinados desde cedo a desconfiar de sua própria virilidade, e homens jovens são bombardeados com a mensagem de que sua masculinidade é, por si mesma, algo suspeito. No entanto, ao contrário do que prometiam os profetas do igualitarismo utópico, a tentativa de dissolver as diferenças entre os sexos não produziu a sociedade harmoniosa que muitos imaginavam. Em muitos aspectos, produziu homens desorientados, apáticos e sem um senso claro de dever, responsabilidade e propósito.

 

A grande e sedutora mentira do nosso tempo é acreditar que a autoridade masculina não passa de um “arranjo social” arbitrário que pode ser abolido por decreto ou protesto de rua. A realidade humana e histórica, contudo, é muito mais resistente às nossas experiências de engenharia social.

 

A liderança masculina não pode simplesmente ser apagada da realidade. Deus estabeleceu uma ordem na criação, e a Escritura apresenta o homem como alguém chamado a assumir responsabilidades específicas de liderança, proteção e provisão. Quando essa responsabilidade é rejeitada, o resultado não é necessariamente uma sociedade neutra e perfeitamente igualitária. O vácuo de autoridade continua existindo, e alguém inevitavelmente o preencherá.

 

A verdadeira questão, portanto, nunca foi simplesmente se haverá autoridade, liderança e governo, mas quem governará e de que maneira o fará.

 

É exatamente no centro dessa intensa batalha cultural que a obra Ser homem é bom demais!, escrita por Michael Foster e Dominic Bnonn Tennant, surge como um chamado à recuperação de uma visão bíblica da masculinidade. Os autores argumentam que a masculinidade e o desejo natural do homem de conquistar, ordenar e governar o mundo ao seu redor não são frutos da maldição do pecado nem uma patologia que precise ser eliminada. Antes da queda, Deus criou o homem e a mulher, estabeleceu suas responsabilidades distintas e declarou que toda a sua criação era “muito boa”.

 

Isso nos obriga a fazer uma distinção fundamental entre autoridade masculina corrompida e autoridade masculina piedosa.

 

O patriarcado maligno é exercido por homens egocêntricos, covardes ou abusivos que utilizam sua força para oprimir. O patriarcado piedoso, por outro lado, exige homens forjados em gravitas, homens de peso espiritual, dignidade e maturidade, dispostos a assumir voluntariamente o jugo do dever.

 

O verdadeiro patriarca bíblico não lidera para garantir o próprio conforto. Ele lidera para servir. Sua autoridade não existe para satisfazer seus desejos, mas para proteger, sustentar, orientar e cuidar daqueles que Deus colocou sob sua responsabilidade. Seu modelo não é o tirano que exige que todos se curvem diante dele, mas Cristo, que entregou a própria vida por seu povo.

 

A autoridade cristã, portanto, jamais pode ser separada do sacrifício.

 

É aqui que a visão bíblica da masculinidade se distancia tanto do machismo quanto da caricatura moderna do patriarcado. O homem piedoso não precisa escolher entre força e bondade, autoridade e serviço, liderança e sacrifício. Na verdade, a Bíblia reúne essas coisas em uma única vocação.

 

Ao longo da história, governantes tirânicos compreenderam o poder que existe quando homens e famílias assumem responsabilidades, cultivam coragem e vivem debaixo de uma autoridade maior do que o próprio Estado. O relato do Êxodo mostra isso de maneira particularmente dramática. Faraó ordenou a morte dos meninos hebreus, tentando enfraquecer e controlar uma população que havia se tornado numerosa. A opressão não era simplesmente uma disputa abstrata sobre igualdade. Era uma tentativa de controlar um povo e destruir sua capacidade de perpetuar sua identidade e resistência.

 

Hoje, não precisamos repetir todas as formas de opressão dos antigos impérios para perceber que uma cultura pode enfraquecer os homens de outras maneiras. Quando meninos crescem sem referências masculinas dignas, quando homens são ensinados a enxergar a própria força como algo vergonhoso e quando a responsabilidade é constantemente substituída pela passividade, a sociedade não fica sem liderança. Ela apenas abre espaço para outras formas de autoridade.

 

Por isso, recuperar a masculinidade bíblica não significa defender homens irresponsáveis, violentos ou dominadores. Significa exigir mais dos homens.

 

Significa dizer aos homens que sua força deve ser colocada a serviço de algo maior do que eles mesmos. Que sua autoridade deve estar submetida à autoridade de Deus. Que sua liberdade precisa ser acompanhada de responsabilidade. Que proteger a família é mais nobre do que explorá-la. Que sustentar é mais honroso do que abandonar. Que governar bem exige domínio próprio. E que liderar, no sentido cristão, significa estar disposto a carregar pesos que outros não deveriam precisar carregar.

 

“Patriarcado ou morte” pode soar como uma provocação, mas existe uma verdade importante por trás dessa afirmação: nenhuma sociedade consegue simplesmente abolir a autoridade. Quando uma forma de autoridade desaparece, outra ocupa o seu lugar.

 

A pergunta que os cristãos precisam fazer, então, não é simplesmente como destruir toda autoridade masculina, mas como recuperar uma autoridade masculina submissa a Deus, marcada pelo serviço, pela coragem, pela responsabilidade e pelo amor.

 

Homens, parem de pedir desculpas por sua força. Mas também parem de tratar sua força como um direito ao egoísmo. Submetam seus impulsos ao governo de Deus. Cultivem domínio próprio. Unam-se em fraternidade com outros irmãos na igreja local. Assumam o peso da responsabilidade sobre suas vidas e seus lares.

 

Aprendam a liderar servindo e a servir com coragem.

 

Quando homens aprendem a governar a si mesmos sob a autoridade do Pai Celestial, sua força deixa de ser uma ameaça e se transforma em uma bênção. E talvez seja justamente isso que nossa época precise redescobrir: ser homem não é um problema a ser corrigido. É uma vocação a ser vivida para a glória de Deus.